1º Movimento de Teatro de Grupo de Curitiba
Doze horas, doze grupos e um objetivo comum: aprofundar a discussão sobre o fazer teatral em Curitiba, tendo como ponto de referência o trabalho de pesquisa continuada. Reunidos há quase dois anos, discutindo sobre mecanismos de criação e produção na contramão do mercado, os integrantes promovem uma ação artística inédita na cidade, o 1º Movimento de Teatro de Grupo de Curitiba.
Unidos por esse ideal, a iniciativa sublinha a importância de uma ação como essa para os grupos de pesquisa em teatro. A programação com 12 horas de duração, mostrará um pouco do trabalho de cada companhia através de cenas, mostras de processo, pré-estréias, performances, leituras dramáticas, estudos e demonstrações de técnicas de trabalho, vídeos, etc...
Nena Inoue, coordenadora geral do ACT, onde acontecerá o 1.o Movimento, considera que esta ação é um exercício de compartilhamento artístico e político dos coletivos de teatro, fortalecendo, entre outras, a importância de ações independentes e dos espaços que abrigam programações não mercadológicas. Para Márcia Moraes, produtora e integrante da CiaSenhas de Teatro, integrar o movimento é uma necessidade de fortalecer um segmento da arte teatral, caracterizado por um modo de produção continuado e conseqüente, que propõe novas relações entre o artista, arte, o público e a cidade.
Embora existam em Curitiba outros núcleos de pesquisa teatral este é o primeiro passo independente no compartilhamento de trabalhos dos grupos. A diretora de produção da Companhia Brasileira de Teatro, Giovana Soar, explica que durante muito tempo os grupos ficaram sem trocar e a partir dessas doze companhias outras poderão vir a integrar o movimento.
A programação terá início com uma conversa com Dorberto Carvalho,diretor de teatro, co-autor de Iná Camargo no livro sobre a Lei do Fomento de SP, e que estará no ACT falando sobre políticas públicas de cultura e seu decorrente desenvolvimento artístico. A exemplo de São Paulo, onde a Lei de Fomento ao Teatro é uma realidade oriunda da classe artística paulista, os grupos da cena local querem seguir o mesmo caminho. Ciliane Vendruscolo, atriz e produtora da Cia Provisória define como fundamental a importância desse tipo de discussão, pois dessa forma oportuniza-se a criação de mecanismos que assegurem a existência da pesquisa de linguagem artística.
O que é importante do movimento, segundo Andrei Moscheto, diretor do grupo Antropofocus™, é que ele não é um movimento anarquista e antagônico as legislaturas. Não tem o objetivo de fazer campanha contra órgãos governamentais e sim buscar um diálogo aberto sobre as possibilidades para produção cultural. Para o ator e produtor da Obragem Teatro e Cia, Eduardo Giacomini, trata-se de um encontro dos pesquisadores da área de teatro para discutir a formação da arte através de políticas públicas para a manutenção das companhias.
Além desse encontro entre a própria classe artística a expectativa dos representantes de cada um dos dozes grupos é que esse seja um espaço de discussão estética no qual o público tenha contato com a produção de teatro de grupo da cidade, é o que espera Giorgia Conceição, diretora da Companhia Silenciosa. “Esperamos poder conversar com as pessoas que irão ao evento sobre essas questões artísticas, diminuindo a distância entre arte e vida. Para nós, é uma ação na esfera micropolitica que, através do encontro de pessoas, pode gerar novos territórios pelos quais possamos transitar juntos”, explica Giorgia.
Extrapolar os limites do teatro também é um objetivo futuro do movimento. Entra na questão da identidade cultural da cidade. Para Paulo Biscaia, diretor da Vigor Mortis, todas essas companhias estão unidas para trazer atenção para elas e para solidificar valores da identidade cultural da cidade.
A articulação que resultou na criação do movimento começou há dois anos, mas para Diego Fortes, diretor da A Armadilha Cia de Teatro é nesse momento que existe uma maturidade das pessoas envolvidas, do que elas querem e pretendem melhorar na cena teatral curitibana. Nesse sentido, Mauro Zanatta, diretor da Cia do Ator Cômico, acrescenta que essas companhias juntas passam a fortificar a atitude de grupos como entidades.
Dentro dessa perspectiva de trabalho de grupo Cristóvão de Oliveira, diretor da Alameda Cia Teatral, ressalta que a produção de grupo está mais ligada a uma linguagem do que apenas a produção de um espetáculo. E que segundo Rodrigo Ferrarini, ator da Pausa Companhia, dentro da classe existem alguns pensamentos artísticos que se cruzam muito bem e que proporcionam esse tipo de iniciativa. “A gente unido é capaz de conquistas que sozinho não é capaz”, diz Rodrigo.
Acompanhe, a seguir, detalhes da programação completa:
10h – Café com companhia (s)
10h30 – Conversa com Dorberto Carvalho (SP) – Políticas Culturais
13h – Almoço
Primeiro bloco – 14h
Companhia Brasileira de Teatro
Leitura de Escritos sobre Teatro do autor Jean-Luc Lagarce, extraídos do livro Do Luxo e da Impotência;
CiaSenhas de Teatro
Mostra de processo: Narrativas Urbanas – Interferências e Contaminações;
Vigor Mortis
Leitura dramática: O Beijo No Meio da Noite, texto clássico do Thêátre du Grand Guignol, escrito por Maurice Level em 1912.
15h30 – Café com companhia(s)
Segundo Bloco – 16h
Companhia Provisória
Demonstração de trabalho;
ACT
Cenas espetáculo Henfil Já!
Obragem Teatro e Cia
Mostra de processo: cena – Mão Dupla
Pausa Companhia
Leitura Dramática
Companhia Silenciosa
Performance Solo de Giórgia Conceição
17h40 – café com companhia (s)
Terceiro Bloco – 18h
Alameda Cia. Teatral
Demonstração técnica de trabalho: A Poética do Treinamento;
Ator Cômico
Demonstração de Técnicas de Improvisação;
Companhia Silenciosa
Performance Solo Léo Glück Live In Moscow;
Antropofocus™
Cenas de Contos Proibidos de Antropofocus™;
A Armadilha
Cena – Mais Que As Palavras, inspirada num trecho do livro "Extremamente Alto & Incrivelmente Perto" de Jonathan Safran Foer.
20h – Café/jantar com companhia(s)
21h – A Viagem – Espetáculo Sensorial em que cada espectador é conduzido por um ator. Uma livre adaptação do espetáculo “Viagem em terra interior”, criação de Léa Dant, (com a participação de integrantes de todos os grupos que compõem o Movimento)*
*Podem acontecer duas sessões!
22h – Encerramento
No local haverá área de alimentação!
1º Movimento de Teatro de Grupo
ACT – Ateliê de Criação Teatral
A Armadilha Cia de Teatro
Alameda Cia Teatral
Antropofocus™
Ator Cômico
CiaSenhas de Teatro
Companhia Brasileira de Teatro
Companhia Provisória
Companhia Silenciosa
Obragem Teatro e Cia
Pausa Companhia
Vigor Mortis
Serviço:
1° Movimento de Teatro de Grupo
Dia 09 de agosto, das 10h às 22h.
Local: ACT – Ateliê de Criação Teatral (Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305).
Informações: 3338-0450 http://movimentodeteatrodegrupo.blogspot.com/
Entrada: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia entrada)
0 comentários:
Postar um comentário